Que fronteiras alcancei? Até onde consegui chegar? É uma questão. Um ponto de interrogação sem fim. O importante é que fui longe, mas também sou o mesmo tanto fraca. Humana. Não sei se isso é aumentar as fronteiras ou abortá-las. As vezes vou tão longe que dá medo e retorno aquela imagem fraca de touro castrado. A mesma roda se repete. Eu não quero isso, não quero ser a mesma criança medrosa, tenho que lidar com a força que brota da vida. A verdade é que não consigo. Continuo a temer os meus anseios e minha carne, não sei lidar com o corpóreo pois tudo pra mim parece música e deve se parecer com. Minha vida é tão poesia que quando aparece qualquer coisa eu quero transformar em arte pra trazê-la pra mim... mas as vezes não vem, porque não quer e não se deve. A arte é sagrada e eu a estou profanando a forçar o que não se pode.

Não vou deixar minha força ir embora, não neste momento. Não vou deixar ninguém tirar isso de mim. Nem um pra sempre segurança, nem uma paixão avassaladora. Ninguém vai me tirar daqui, deste oásis da paz. Foi muito difícil chegar até aqui, só Deus sabe pelo chão que eu passei, os caminhos dos meus pés secos... E só Ele sabe o quanto me deu forças pra continuar a ter essa vida incessante e crescente. Teimosa essa vida minha... essa luz que eu conquistei é porque Deus está comigo, em cada passo, a cada instante. E como diz Clarice, sempre, Ele é de uma grande delicadeza... cada folha que vejo cair com o vento de uma árvore me lembro, do quanto sou grata e do quanto nunca, nunca..nunca, devo deixar essa luz se apagar.

E essa luz nunca vai se apagar.

Amém.

Posted by Amelie on December 16, 2011 at 03:13 AM | Add a Comment
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